Um Jogo Cooperativo de Tabuleiro
Pois então, foi um dia como outro qualquer e surgiu essa ideia: e se criássemos um jogo de tabuleiro que estimulasse a cooperação ao invés da competição?
Imagine um jogo no estilo War (da Grow) só que, ao invés de incitá-lo a competir e a conquistar países e finalmente dominar o mundo, você fosse estimulado a conquistar amigos e parceiros para atingir objetivos comuns, produzindo um planeta sem divisões?
É claro que o jogo seria cheio de desafios, dificuldades e tentações que buscassem atrapalhar a cooperação entre os jogadores.
Esse jogo poderia se chamar Peace (ou Paz, ainda mais belo).
E aí? Quem topa ajudar a desenvolver a ideia, desenhar as interações, criar o tabuleiro, as cartas, as peças e toda a narrativa das possíveis "histórias jogáveis"?
Alguém conhece jogos similares, estilo "Jogo da Sustentabilidade" ou outros do gênero, para buscar inspiração?
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Jogo da Paz Mundial
Este jogo foi criado na década de 70 por John Hunter e trata-se de um cenário de crise internacional, incluindo fome, industrialização, economia, educação, meio ambiente, política e hoje em dia foi incluída a possibilidade de ataques cibernéticos.
OO tabuleiro tem quatro andares em acrílico pra representar diversas esferas da crise.
O jogo só termina quando a crise está solucionada e como o público é de crianças de 9 anos em média, sabe-se que já resolveram todos os problemas do mundo algumas vezes
Existe um filme que fala deste jogo, e está em fase de distribuição/apresentação em universidades.
Mais informações neste vídeo TED do autor, que impressiona pela humildade e reverência aos que vieram antes dele.
Muito interessante, também é o objetivo central do jogo: fazer com que as crianças se sintam confortáveis diante do desconhecido.
http://www.ted.com/talks/lang/por_pt/john_hunter_on_the_world_peace_game.html
É muito interessante.




Comentários
Um jogo é um simulador real
A mente não diferencia realidade de imaginação. A tênue percepção da concepção de uma imaginação é o que mantêm a memória de não armazenar essa imaginação como um fato real. Mas mesmo sabendo que aquela memória não é real, o nosso cerebro tende a buscar em qualquer lugar, especialmente seus arquivos, referências para montar o mapa no qual operamos. Todos nós operamos através de um mapa, que guia nosso comportamento e percepções, nunca operamos diretamente no mundo real.
Sabendo disso é o que basta pra enteder a real importância de um jogo. É uma forma de condicionamento, pois será a base de referência mental daquela pessoa diante de uma situação parecida no mundo real.
Esse conhecimento é um velho conhecido da vida no mundo. Animais que aqui vivem a muito mais tempo que nós, quando são filhotes, brincam simulando nada mais do que ataques e fugas que serão empregadas na vida adulta em uma situação real de emergência. Filhotes humanos tendem a fazer o mesmo, embora hoje em dia isso seja muito mal instruído. Brincadeiras saudáveis que ensinem crianças a ter boa percepção sensorial, espacial e física, bem como a desenvolver conhecimento de socialização, são reprimidos pelos pais idiotas e superprotetores do sec. 21 que não deixam nem sequer a criança correr pela casa para não ter a chance de cair.
Crianças reprimidas tendem a ser apáticas, ter fracos conhecimentos do processo de relacionamento social, e um forte desejo de auto-aprovação. Geralmente esse desejo é conseguido em jogos virtuais ou de mesa, onde é possível adquirir status sem muito esforço físico ou tempo. E isso é o que mais seduz nos jogos.
Se percebermos qual a mensagem por trás de todo jogo que existe, logo vemos algo preocupante: Todo jogo envolve matar. Até o mais bobo dos jogos envolve dominação e eliminação do seu oponente. Me lembro de uma vez que estava no aniversário de uma amiga quando adolescente, e o irmão dela de 10 anos na época com seus amigos cada um mais novo que o outro, estavam jogando Mortal Kombat no Nintendo64. Os guris gritavam sedentos com os olhos estufados coisas do tipo: "MATA MATA MATA!", "ARRANCA A CABEÇA DELE!", "MATA PORRA EU QUERO VER SANGUE!", isso tudo na frente dos pais que estavam sentado em uma mesa ao lado rindo e achando aquilo lindo.
O tenente coronel Dave Grossman não acha isso nem um pouco bonito, e criou o estudo chamado Kilologia (killology) ou a Psicologia do Matar, para mostrar baseado em seu conhecimento militar, que a simulação quando bem feita é o que transforma jovens comuns em soldados assassinos ultra-perigosos. E hoje luta contra essa alienação dissimulada na sociedade em todos os meios, especialmente aqueles voltados a crianças.www.killology.com
A simulação por jogo é tão eficiente, que pessoas ricas sempre compram para seus filhos o jogo chamado Banco Imobiliário, para ensinar "importantes lições financeiras a seus herdeiros". Em outras palavras: Ensinar a criança a ser egoísta, ganânciosa, oportunista, carniceira, avarenta e sedenta por dinheiro pelo simples fato de ter mais e mais.
Outro exemplo do poder da simulação é o jogo virtual America's Army. Esse jogo é usado para treinar as tropas do exército americano da mesma forma que um Flight Simulator é usado para treinar pilotos.
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Queremos um mundo melhor, mas educar pessoas não significa palestra-las e esperar que por mágica elas vão adotar nossa mentalidade. Não sei quem foi que inventou essa mentira. Se voce quer educar uma pessoa, voce precisa dar a ela uma base de referência pela qual ela possa situar em seu mapa mental e pela qual ela vá recorrer como opção diante da necessidade de tomada de decisão em uma situação real. Muitos ativistas de longa data enfatizam a mensagem de que se "ensina pelo exemplo", e isso é verdade, baseado no fato anteriormente mencionado. Mas não somente pelo exemplo se ensina, o aprendizado pode acontecer também pela simulação. Se não fosse assim, lutadores de artes marciais nunca seriam as maquinas de combate que são, pois todo treino é uma simulação, ninguém precisa se machucar sério ou morrer para que a pessoa aprenda a dar um soco mortal.
Eis porque um jogo é algo fabuloso e necessário.
Pensando nisso, houve uma iniciativa chamada Superstructure Game, que era uma espécia de Second Life e foi jogada por 8000 pessoas no mundo inteiro, onde o objetivo era adotar um problema mundial e resolve-lo. O projeto não existe mais e não sei se será efetivado como é o Second Life hoje em dia, mas mostra que a simulação por um mundo melhor já é algo sendo pensado.
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Para o Coolméia, a idéia do jogo de tabuleiro é boa, mas os custos de produção e concepção exigiria um empresário de mão firme e tempo. Bem como um periodo de testes um tanto longo tendo em mãos um protótipo. Digo isso porque estudei a criação do jogo Cashflow 101 e vi como é desafiador a criação de um jogo de tabuleiro. Talvez por isso que hoje em dia todos os jogos preferem ser eletrônicos, dado a facilidade de produção, comercialização e divulgação. O jogo Cashflow 101 hoje em dia é virtual também.
Quando falamos em jogos para crianças, não precisamos de produtos perfeitos. Uma criança é capaz de brincar com barbeadores imaginando ser carrinhos de corrida. Um simples papel dobrado em asas e a criança está louca de feliz brincando de ve-lo voar. Se colocarmos nossa mente para pensar um pouco, podemos iniciar culturas de jogos tal qual é hoje o "esconde-esconde" sem grandes custos de dinheiro ou tempo. Por exemplo, eu posso inventar uma brincadeira com um pião e bolas de gude, e dizer para as crianças que o pião é um disco voador invadindo o mundo e as bolas de gude são canhões que elas tem que disparar usando um tubo de pvc com um balão vazio na ponta. Ela estica o balão projetando a bolinha de gude no pião. Quem acertar ganha. (criei essa idéia quando viajei a um interior, e lá existia essas duas brincadeiras, pião rodado com linha e canhão de pvc. Ttudo o que fiz foi juntar as duas idéias e adicionar um cenário).
Um jogo que eu gosto de fazer em minha casa com meus parentes pequeninos, é o seguinte: Tenho o Google Earth e o Celestia instalados no pc. Começo a conversar com o pequeno entrando na dele, sem ser idiota como muita gente faz. (Adendo: Adultos, é possível conversar com uma criança sem fazer "oti ninini tititititi ki coisin bunitin hihihihih " (¬¬'). Por favor! Conversem com crianças como se elas fossem adultas, mas sem ser muito lógico. Se ela tiver falando que ela viu no pica-pau que um et é verde e rapta pessoas com um laser, converse com ela como se isso fosse a mais pura verdade. É um começo). Depois, sempre puxo um assunto mais científico, e por fim convido o guri a vir no meu computador (algo que sempre os proibo até de chegar perto), um convite irresistível para a curiosidade de uma criança. Então mostro o Google Earth e mostro onde estamos. Depois dou um zoom out e peço que ela encontre a casa sozinha. Já houve casos que uma criança de 10 anos achou a minha casa, depois achou a dele que fica uns 20 km da minha. No celestia a mesma coisa, só que em vez de achar algo, eu brinco com eles de viajar no espaço. Desafio-os a encontrar um planeta fora do sistema solar, em outra estrela. Eles adoram, e ficam tão quietos concentrados nesses jogos.
Gincanas também poderiam ser pensadas. Um prêmio bom poderia ser dado: Uma bicicleta, um mp3 player, um netbook, etc. SE o grupo conseguir construir um sistema hidropônico numa praça, ou reformá-la e jardiná-la, ou jardinar a cobertura de um edifício, ou desenvolver e apresentar um projeto urbanistico para o bairro e apresentá-lo com sucesso a autoridades governamentais, etc. Muito pode ser pensado. Importante notar que a gincana seria dividia em grupos que necessariamente precisariam COOPERAR entre si par atingir o objetivo final, do contrario de competir entre si. O prêmio só é recebido se o objetivo for cumprido com êxito, se não apenas um prêmio de incentivo (camisas, bonés, agendas com canetas, etc.) seria dado para estimular a participação na próxima temporada. "O Aprendiz" do Altruísmo. Já pensou se vira programa de tv? Ei, porque não? Podemos filmar as gincanas e por no Youtube, depois enviar o canal para alguma Tv e ver se gostam da idéia.
Qual a sua idéia de jogo por um mundo melhor?
jogos cooperativos de tabuleiro
Pessoal, não conheço muito bem a história dos jogos de tabuleiro, mas já havia ouvido de Fabio Brotto (que atua com jogos cooperativos) que existiam alguns jogos cooperativos de tabuleiro. Bem, achei duas páginas que contêm alguns dados. A primeira é um projeto de jogo cooperativo de tabuleiro desenvolvido pela Cooperabrasil, se chama Lugar Bonito (http://www.cooperabrasil.org/jogos.html), e a segunda é da comunidade do ning de jogos cooperativos (http://jogoscooperativosefe.ning.com/profiles/blogs/jogos-de-tabuleiro). Sobre os princípios e usos dos jogos cooperativos, acho que o site do Projeto Cooperação é uma boa referência (http://www.projetocooperacao.com.br/).
Bem, sobre o video do TED, acredito que embora seja realmente um jogo muito bom, ele é por demais complexo. Além do tabuleiro em várias camadas, da quantidade de participantes, dos diferentes papéis utilizados e dos recursos disponíveis, ele está num formado de Role Play Game que exige uma gama de habilidades muito grandes do mestre do jogo, que possui, pelo vídeo, realmente uma habilidade ímpar de educador e mediador. Ou seja, muito bom, mas muito difícil de "repetir".
Acho instigante a construção, mesmo que um modelo caseiro, de um jogo de tabuleiro cooperativo, e caso queiram tentar topo o desafio também!
Outras sugestões
Falando em jogos virtuais, lembrei de dois jogos que eram meus preferidos na adolescencia: Age of Empires II e Zeus - Master of Olympus. São jogos de estratégia em tempo real (RTS) que eram fundamentalmente baseados em como o jogador geria sua economia de forma eficiente de forma a manter a sociedade estável e pular de era após era. Infelizmente o objetivo final era construir um exército e ir a guerra destruir outros povos, mas eu fiquei com essa plataforma na cabeça e seria legal ver alguém desenvolvendo algo do tipo. Um RTS em que o objetivo fosse a sustentabilidade economica e bem estar social, mas promovendo abundância e aplicando os recursos não em exércitos, mas em atualizações em tecnologia e ciências, construções ou reformas. Os inimigos poderiam ser coisas como terremotos, tsunamis, asteróides, pragas, epidemias, pobreza, insatisfação social, surgimento de ladrões, êxodo urbano, poluíçao, etc.
O age of empires II até tem um módulo sem guerras, onde o objetivo é construir a mais forte economia em determinado prazo de tempo, e o jogador fica impossibilitado de atacar o adversário, porém a mensagem por trás desse módulo é "competição" o que não é bom, seria melhor se fosse parecido com o que acontece em Zeus, em que uma cidade-estado estabelece uma rota de comércio com outra, trocando mercadorias excedentes de suas produções permitindo o progresso mútuo.
Quem ja jogou um desses jogos, ou os dois, sabe do que to falando. Quem nunca jogou, veja no youtube ou baixe e experimente a versão demo.
Na minha opinião, todo administrador e político deveria jogar esses dois jogos, pois são geniais.